domingo, 17 de outubro de 2010

V Semana de Moda Uniesp



Um super evento: de 27 a 29 de outubro na Uniesp em Presidente Prudente acontecerá a V Semana de Moda . Workshops, mesas de Discussão, exposição de trabalhos dos alunos de moda e um grande desfile de encerramento com a presença de convidados muito especiais ligados à área acadêmica do curso e ao segmento da moda e beleza em Prudente e região.

Grande surpresas! Aguardem... 



Apoio: Proart Eventos, LupaLupa, Az Models, Pernambucanas, Sr. Boteco, Rede Forte, Instituto Embeleze, Willian Ronye Cabeleireiros, VB Brindes, Wizard, Leila Festa e Fantasia, Mariazinha Uniformes, 100% Vídeo, Fit for It Moda Fitness, Credivell, Siq Grill, Dilleto Massas, Bebidas Funada, Bonita Bijouterias, A Cirandinha Malhas.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

PÉ DE MEIA

por Fabrício Carpinejar

Arte de Cínthya Verri

Remédio não cura depressão, o que nos salva são os sapatos novos.



No caso de tristeza, uma caixinha resolve. No desespero, recomendam-se dois pares para serem usados em sequência. Se possível, no mesmo dia, de tarde e de noite.

Minha mulher estava estressada, ansiava por uma superdose. Saiu da loja com três modelos. A melancolia foi embora. Na manhã seguinte, seu riso era cadarço com brilho nas pontas.

Roupa não melhora um homem, mas pode piorá-lo. O guarda-roupa é meu confidente. Parto da tese de que o armário, depois de guardar tantos gays, é capaz de oferecer os melhores conselhos. Quando cansado, vou arrumar as roupas. Não as bagunçadas e as que ficam atiradas no espaldar da cama e da cadeira. Retiro as pilhas das estantes e dobro tudo de novo. Apenas o trabalho inútil dignifica. Sei pelo cheiro do tecido qual a última vez que coloquei.

O pai também superou um conflito com a ajuda dos cabides. Entrou numa crise de estima pelo sobrepeso. Por mais que emagrecesse, ainda engordava. Não admitia um prato menor e o ponteiro da balança sempre maior. No instante em que comprou suspensório, recuperou o domínio da alegria. Os suspensórios são a armação colorida para quem não usa óculos. Ele esticava o elástico como um estilingue, abatia os pássaros dos ombros. Ainda rangia, eufórico: — Agora tenho um chicote para meu corpo, ele vai me obedecer!

É previsível que largou a dieta, engordou mais vinte quilos para adquirir outros suspensórios. Gostou de engordar. Agora sem culpa e com charme de colecionador.

Eu me divirto que hoje me confundem na rua com um DJ ou um músico. Já fui um mecânico, um executivo fracassado, um metaleiro, um emo. A fixação pelo figurino começou tarde. Em casa, minha mãe empregava termos como carpim e fatiota. Não existia chance de bom gosto.

A estreia como macho talvez tenha sido na primeira comunhão. Inaugurei cinto, sapato preto e terno. Quatro números acima do meu. Meditando com calma diante das fotos, não representava roupa de homem, e sim de velho. Não entendo como não recebi diretamente a extrema-unção.

A irmã Carla buscou me amparar na adolescência. Com a minha cara cravejada de espinhas, desafiou à insanidade da tarefa. Incomodada com as opções, decidiu ceder calça branca, camisa branca e tênis branco. Passei em branco pelas garotas. Como um sujeito que pega emprestado as roupas da irmã apresentará resultado? Nunca.

É razoável supor que tenha me sentido homem ao enfrentar a extravagância, ao pôr um colete preto com lantejoulas, que arrematei num brechó do Bom Fim. Os colegas zombaram de minha masculinidade. Nem a inscrição “God is dead” me poupou das ironias. Morria pela terceira vez.

Confesso que não me vejo homem homem com nenhuma roupa. Muito menos com poncho, que transforma o gaúcho numa gaita de lã.

O que acende a virilidade é absolutamente insignificante. É recolher as meias de Cínthya entre os lençóis. Ao preparar a cama, localizo aquele novelo que escapou dos seus pés, um colchete de seu sono, um parêntese de suas unhas; emociono-me ao saber que ela deve ter procurado durante a noite.

Coloco o novelo sobre o cobertor, com destaque de um travesseiro. No restante das horas, controlo a ansiedade pelo beijo de recompensa.

Eu só dependo de um par de meias para me enxergar inteiro.



quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O amor é cego; a ciência, zarolha.


Crédito: Juliana Laguna



Pegando carona no post anterior, aí vão umas pérolas da história da ciência:



"Quando a exposição de Paris fechar, ninguém mais vai ouvir falar em luz elétrica". (Erasmus wilson, professor da Universidade de Oxford, em 1800)


"O fonógrafo não tem nenhum valor comercial". (Thomas Edson, inventor, em 1876)


"Máquinas de voar mais pesadas que o ar são impossíveis". (Lord Kelvin, matemático, físico e presidente da Sociedade Real Britânica, em 1895)




"Este meu invento pode ser explorado como uma curiosidade científica por algum tempo mas não tem futuro comercial". (Auguste Lumière, inventor do cinema, em 1895)


"Que o automóvel praticamente chegou ao seu limite é confirmado pelo fato que, nos últimos anos, nenhum aprimoramento radical foi introduzido". (Revista Scientific American, em 1909)




"Não há a menor indicação de que a energia nuclear será obtida. Isso significa que o átomo teria que ser rompido no futuro". (Albert Einstein, em 1932)


A pesquisa científica só tem valor a medida que sai das salas de aulas e transpõe os muros da universidade. Ela só alcança seu ápice quando atinge seu objetivo maior, quando cumpre sua missão social. É uma ferramenta inprescindível, inerente ao ambiente acadêmico, mas deve ser usada com cautela e moderação.






Colaboração: www.fisica-interessante.com

Acadêmica, pero no mucho.






Há dias atrás tive a I-MEN-SA satisfação de participar do Colóquio de Moda da Universidade Anhembi-Morumbi em São Paulo. Foram três dias incríveis de mesas redondas, grupos de trabalhos e muito, muito conhecimento.
Entretanto, voltei de Sampa com algo na cabeça e venho matutando sobre isso desde então, mas antes de escrever aqui, recolhi alguns elementos, com medo de falar bobagem, afinal , as principais vozes do evento são profissionais consagradíssimos, que vem pesquisando constantemente o assunto "moda" em suas mais diversas vertentes, baseadas em observações, experimentações e bibliografias extensas, confiáveis e dignas de respeito, tudo organizado sistematicamente em trabalhos científicos primorosos.


O que vem me intrigando é essa forma extremamente científica de abordar a moda. Em dado momento no GT em que eu participava o assunto tomou um rumo tão, mas tão científico que pensei que devia ser assim uma reunião na Academia Brasileira de Letras ou na NASA. O problema sou eu - cogitei - afinal não estou habituada ainda com esse ambiente demasiadamente acadêmico.


Mas como minha mente é irrequieta e quer respostas novas para problemas que ela mesma cria ponderei sobre qual a importância e a aplicabilidade de todo esse conhecimento científico. Seria a moda um objeto da razão?

Não consigo enxergar a vida acadêmica de um aspirante a bacharel sem a pesquisa científica ou sem a busca do conhecimento científico, mas também não concebo um bacharel que faça a pesquisa pela pesquisa. O conhecimento científico vem permeado de  uma responsabilidade, especialmente no caso do designer de moda, que deve ter como premissa de seu trabalho a aplicabilidade desse conhecimento adquirido de maneira que, ao desenvolver um produto qualquer de moda o faça objetivando uma melhoria na vida de quem vai utilizá-lo. O pesquisador deve ser consciente do caráter relativo da verdade científica e refletir na adequação que o fato estudado vai ter na vida prática das pessoas, afinal, não é coincidência o fato do Design de Moda classificar-se, dentro das áreas do conhecimento das "Ciências Sociais Aplicadas".

Talvez, um caminho alternativo a esse questionamento seja propor novos enfoques para o estudo e pesquisa em moda, quem sabe pela ótica da Epistemologia, que estuda a relação sujeito-objeto, a natureza, caráter e propriedades específicas da relação cognitiva, assim como das particularidades dos elementos que intervém nessa relação. Isso porque acredito que o verdadeiro conhecimento se faz pela ligação contínua entre intuição e razão, entre o vivido e o teorizado, entre o concreto e o abstrato.

E assim eu justifico minha posição: o que me levou até a moda foi seu caráter idílico, lúdico, fantástico, que me permite ser quem sou sem julgamentos (que me permitiu inclusive usar o cabelo repartido ao meio preso em  dois 'pompons' no segundo dia de mesas redondas sem parecer ridícula), que me proporciona um mundo de opções, um universo de personagens e possibilidades, que pode ser tão divertida e ao mesmo tempo tão séria sem ser carrancuda...teria ela esse lado obscuro, circunspecto e sisudo, esse critério pré-concebido que soa como pré-requisito obrigatório da vida acadêmica? Seria essa "eruditização" da moda realmente necessária e/ou benéfica?

Quero terminar este texto dizendo (em tempo) que, nada do que eu pense e discorra é definitivo. Minha mente está aberta à opiniões divergentes para, quem sabe, mudar de idéia se assim eu entender necessário e ainda sim, continuar construindo conhecimento.


Mas eu curti o Colóquio, sorvi cada gotinha. E ano que vem tô lá denovo: Maringá, me aguarde! Ah! E eu quero seguir carreira acadêmica, anota aí.

domingo, 29 de agosto de 2010

Quem é que dita a dita cuja?





Tendências: eu não sigo, eu não gosto, eu não curto. Blá, blá, blá...
Há um conceito social historicamente conhecido como "Espírito do Tempo" - o chamado Zeitgest (em alemão) - que identifica o clima geral intelectual, moral e cultural predominante em uma determinada época e que talvez jogue uma luz sobre esta questão: 


"De qualquer forma, parece haver alguma coisa 
na ideia de Zeitgest (espírito de época) ou, pelo menos,
na de contágio mental. Pensamos que estamos enveredando 
por um caminho sem precedentes, e de repente, olhamos em volta
e descobrimos que estão no mesmo rumo toda sorte de pessoas
de quem nunca sequer ouvíramos falar."

Clifford Geertz,
Antropólogo americano.

Acredito que, o que incomoda o ser humano é a possibilidade ou a ideia de ser comandado por algo, manipulado por escolhas alheias. Porém, o que de fato ocorre é que as tendências hoje em dia saem, na maioria das vezes, da observação do cotidiano, do contexto social, econômico e cultural, das próprias pessoas. Isso mesmo, a culpa é sua. 

Exemplo: tivemos em 2009 uma crise econômica mundial e isso se refletiu também  na moda. Nunca se viu tanto o uso de moletons nas coleções apresentadas no período.Tecido mais barato, afinal, supunham os criadores, não haveria muito dinheiro nem para a produção menos ainda para o consumo. Bordados foram substituídos por estampas, jeans vieram nos índigos tradicionais tendo em vista que lavagens diferentes encareceriam a produção e aumentariam o preço final inviabilizando o consumo.
Aí você foi até a loja, comprou o jeans escuro "porque se sentiu bem usando, porque tem estilo próprio, blá,blá, blá..." Sinto muito meu caro, você comprou tendência.

Osklen Inverno 2009


Se a moda é reflexo de uma sociedade a tendência também segue esta premissa. Outro exemplo clássico de que a moda vem mesmo é do povo: na década de 20, as mulheres então libertas dos espartilhos, usam agora uma moda livre, vestidos curtos,soltos, leves e elegantes de silhueta retangular pouco feminina. Já no pós-guerra, com os homens voltando do front, as mulheres sentem a necessidade de se feminilizar para receber seus maridos-soldados  e apostam intuitivamente num look de cintura marcada. Captando o sinal, Dior cria em 1947 o New Look, amplamente usado e consolidado e que perpetuou-se durante os anos 50 e 60. 






Daí vem o terceiro exemplo: o Baby Boom. A fórmula: Estabilidade na economia advinda do final da Segunda Guerra + Mulherada toda trabalhada no New Look + Soldados regressos enlouquecidos de saudades = explosão de bebês!
Os bebês cresceram, nos anos 60 esses jovens eram maioria e influenciaram a moda do período. Foi a década do Rock and roll, do rebolado de Elvis, das jaquetas de couro, do topete e do jeans.  As moças bem comportadas já começavam a abandonar as saias rodadas de Dior e atacavam de calças cigarette e mais adiante de mini saias, num prenúncio de liberdade. A explosão de juventude fez com que, conscientes desse novo mercado consumidor e de sua voracidade, as empresas criassem produtos específicos para os jovens. São os Baby Boomers, das ruas para as vitrinas, ditando tendências de moda e consumo.


Há quem ainda acredite que são os estilistas, a mídia, as revistas de moda que impõem o que se deve vestir. Porém o que é sabido é que antes mesmo do criador de moda desenvolver sua coleção ele busca tecelagens. As tecelagens e malharias por suas vez, buscam fiações que buscam referências em matérias primas, fibras e sobretudo em cores, estampas e padronagens geralmente baseadas nas cartelas de cores Pantone que, provavelmente pesquisa muito antes de desenvolver os pigmentos da próxima estação. O olhar parte sempre da sociedade, da leitura que se faz daquilo que o ser humano pensa e espera pra esse momento da vida, da história, tudo traduzido em roupas. Estilistas, mídias e fashionistas apenas confirmam estes sinais e os repassam para o grande público. Cabe a nós, é claro, aderir ou não, mas é um tanto difícil isentar-se das tendências uma vez que vivemos em um país, no mundo e estamos inseridos num contexto global. Sorria! Você pode estar sendo observado.






Créditos:



domingo, 22 de agosto de 2010

Post-à-porter

Vestir-se a Caráter




Códigos sociais nos ensinam como vestir-nos para ocasiões específicas: há os trajes relaxed, resort, esporte, esporte fino, social e black-tie. Não intenciono nesse post explanar cada um deles, assunto já tratado por muitos outros. Quero falar de algo que o termo do título me traz à cabeça.

Sempre quis deixar um legado para a humanidade e acho que encontrei meu modus operandi . Com base nas vivências cotidianas intentei criar o sétimo tipo de traje social. Este, diferentemente dos outros, pode (e deve) ser usado em quaisquer ocasiões, desde um passeio na praia, clube ou parque até mesmo nos mais formais  e luxuosos eventos. É um traje curinga, não custa muito caro mas há pessoas que ainda tem muita resistência ao uso.

Trata-se de cobrir-se de temperamento equilibrado e honestidade, enfeitar-se de educação e gentileza e, enfim, calçar-se de boa conduta. Eu chamo isto de "Vestir-se DE Caráter" .

Não é questão de dinheiro. As moedas que compram estas roupas são a boa vontade e o exercício. Apesar de que, acham-se muitas peças por aí nos brechós da vida ou mesmo jogadas nas ruas, abandonadas por muitos que não sentiram-se confortáveis utilizando-as ou que as abandonaram por conviccção mesmo. Seja como for, experimente, tem de todos os tamanhos e o provador é logo ali.






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Imagem:cherryouth.wordpress.com

O Design de Moda na Prática

O que pesa mais: Formação ou Experiência



Sexta-feira, 20 de agosto de 2010, aula de Desenvolvimento de Produto. Naquela noite estudamos sobre a importância de um cronograma no desenvolvimento de uma coleção. Eis que levanta a mão uma colega de classe que põe-se a dizer que isso 'que os professores ensinam na faculdade não condiz muito com a vida real, que tais ensinamentos servem apenas para modas da São Paulo Fashio Week' , e citou exemplos que, em tese, confirmariam sua tese.

Pois bem, eu que não consigo calar-me diante de alguns palavrórios argumentei que discordo, em partes é certo, do que acabara de ouvir. Considero a utilização de um cronograma  algo ESSENCIAL à uma empresa de moda, se a profissionalização for uma de suas preocupações, é claro. Fato é que o amadorismo impera ainda nos setores que criam moda país afora. Diria até que estes setores criam, na verdade, apenas vestuário, roupa para vestir. Moda mesmo, no sentido mais profundo do termo exige certos mecanismos de desenvolvimeto e produção. O designer de moda está aí para traduzir desejos dos usuários em peças que digam algo, que tragam em si um significado particular.

Aí então foi a vez da tréplica: ouvi da colega que mesmo trabalhando sem cronogramas e outras coisas que considera dispensáveis, estas empresas vendem bem e muito. Correto. Há mercado para todos, absolutamente; passeamos de modinhas Torra Torra à lojas-conceito, Zaras e Daslus. Mesmo essa que vos escreve é ré confessa e cliente incondicional da Marisa, C&A e de uma ou outra lojinha do calçadão.

O que não podemos deixar de considerar é que nós, criadores de moda, somos também formadores de opinião e temos escolhas a fazer: se queremos trabalhar sem cronogramas, fichas técnicas, e outros tantos 'fashion gadgets', podemos fazê-lo; a vontade é livre. Teremos no entanto que contentar-nos com um sucesso provinciano, nada além disso. De minha parte, a partir do momento em que for eu a responsável por uma moda, a inspiração, que partir de dentro de mim passando pelas peças de roupas que criar deverá fazer diferença para quem a vestir, deverão ter uma finalidade de existência que não só cobrir corpos. Isso até os homens das cavernas faziam - e bem feito.